sábado, 23 de fevereiro de 2008

ESPECTADOR

o espectador
desperta a dor.
uma esperta dor
como um apontador.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

MEU AMIGO ZÉ


Nesses dias de chuva, estava eu fuçando num velho caderninho de lembranças. Achei uma coisa q me fez lembrar de momentos muito bons de 2005 acho. Para quem nao sabe, eu tenho um amigo mto maluco, o Zé (quem é q nao tem um amigo chamado Zé?). Mas o Zé é do tipo inteligente e musical, não um maluco qualquer. Para encurtar o causo, conto a vocês que neste dia em que estavamos eu e o Zé em sua antiga casa que depois de alguns meses eu passei a habita-la, depois de muita conversa deliciosamente jogada fora, eu disse assim baixinho:

OI ZÉ, TUDO BEM COM VOCÊ?

Como eu já disse a vocês, o Zé é um malucointeligentementemusical, então ele achou um tanto quanto estranho o que eu disse. E respondeu

O INSETO DO BAICON

Não! Tivemos que registrar porque sabiamos que aquilo...bom aquilo foi idiota, mas foi maravilhoso! Tão maravilhoso quanto as inacreditáveis e inimagináveis sementes do sitio de seu avô acho, que ele um dia me mostrou.

Ai Zé quanta falta você e suas maluquices me fazem......

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

TANTO MAIS FAZ A MAIS OU SIMPLESMENTE NADA. Uma lembrança de Arnaldo Antunes e do meu querido amigo Zé

Nada mais.
Nada a mais.
Tanto faz...


Tanto faz
nada a mais.
Nada mais.


Nada mais
tanto faz.
Nada a mais.


Mas se tanto faz
o nada mais,
nao há nada a mais.
Ou seria nada demais?
Oras...
tanto faz!

SOBRE ESTAR SOZINHO - Flávio Gigovate

(retirado do blog lemininskata)


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.


A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século.O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher.Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.


A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei.Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante.Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.


Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.


Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso.Ao contrário, dá dignidade à pessoa.


As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.


Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo!...


PS: Caso tenha ficado curioso em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer:"EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM".Em resposta as pessoas dizem "SHIKOBA", que é:"ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

MODINHA, DE ADÉLIA PRADO

video

QUE VOCÊ GOSTOU

Anseio
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Seio


Passeio
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Anseio


Receio
Receio
Receio

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

ESTILHAÇO EM FRUTA-COR



Penso que tudo foi mesmo como uma bolha de sabão.
Encantadora, leve flutuava de azul, verde, amarelo, rosa,
violeta, cereja, laranja, limão.
Com uma sutíl elegância emanando poéticamente em prosa,
eram cores que tilintavam , ou melhor,
cores que sussurravam em alusão.
Vivendo de pequenos sopros, por fraqueza ou força maior,
a bolha que antes dançava não desce ao chão,
estilhaça sua beleza no que há de pior
ao sopro de uma verde ilusão.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

LEMBRANÇAS DO AUDAZ NAVEGANTE DE G. ROSA

"agora eu sei mais; o ovo só se parece, mesmo, é com o espeto."

"suas meninas-dos-olhos brincavam com bonecas"

"Zito, tubarão é desvairado, ou é explícito, ou demagogo?"

"Ciganinha lia um livro; para ler ela não precisava virar página".

"O Audaz Navegante, que foi descobrir os outros lugares valetudinário. Ele foi num navio, também, falcatruas. Foi de sozinho. Os lugares eram longe, e o mar. O Audaz Navegante estava com saudade, antes, da mãe dele, dos irmãos, do pai. Ele não chorava. Ele precisava respectivo de ir."

"Zito põe um moeda. Ciganinha, um grampo. Pele, um chicle. Brejeirinha – um cuspinho, é o seu estilo. "

"deu um pulo onipotente...Agarrou, de longe a moça, em seus braços...Então, pronto [...] Agora, acabou-se, mesmo: eu escrevi – "Fim".

“sonhava ir-se embora, teatral”

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida, fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida! Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm, no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso.

E roda a melancolia seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu...



Cecília Meireles
Fotografia de Mara Braga

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

AS ROSAS AMARELAS DE UM PASSADO CARNAVAL


Sambando lentamente num céu amarelo de um lindo sábado de carnaval, assisto ao momentâneo interminável desfile de imensas nuvens carregadas de finos cristalinos confetes que, por um segundo me tomam o corpo de uma suave brisa molhada.

Embreagando-me num único gole desta volátil dose amarelada, preencho meus ouvidos e meus olhos com a tua lembrança. Nessas horas, Jorge já me diz que "as rosas eram todas amarelas". Enquanto isso, meu amado Noel ainda insiste na sua fita.

Que pena.....ja passou

sábado, 2 de fevereiro de 2008

OLHINHOS PUERIS


O que dizes tu, cheio de mentiras, sobre estes meus olhos?

Olhos meus que refletem em ti tudo aquilo que cantamos, tudo aquilo que sentimos, tudo aquilo que, com uma gentil delicadeza, um dia passamos. São estes sim meus olhinhos pueris que agora se abrem para ver novas paisagens, paisagens as quais talvez nem sejam tão belas quanto as tuas, mas que definitivamente não me enganam e nem se confundem mais nestes verdes dos teus olhos.

São estes sim meus olhinhos pueris que um dia você roubou.